“Governo Tarcísio militariza educação em SP. Escolas serão comandadas por tenentes, subtenentes e sargentos”

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São José do Rio Preto terá sargentos, subtenentes, tenentes e até um tenente-coronel da Polícia Militar como diretores disciplinares em escolas cívico-militares, conforme determinação do governador Tarcísio de Freitas. A medida, parte da expansão da militarização da educação em São Paulo, tem gerado críticas de especialistas que alertam para os riscos pedagógicos e sociais dessa política.

O que muda nas escolas de Rio Preto

A partir de 2026, cinco escolas estaduais da região de São José do Rio Preto passam a integrar o modelo cívico-militar. Cada unidade terá um sargento da PM como diretor disciplinar, responsável por questões de comportamento, ordem e civismo dos alunos.

  • Função do PM: não atua como gestor pedagógico, mas como autoridade disciplinar.
  • Escolas selecionadas: incluem unidades em Rio Preto, Mirassol, Catanduva, Votuporanga e Fernandópolis.
  • Objetivo declarado: melhorar a disciplina, reduzir evasão escolar e reforçar valores cívicos.

Críticas e preocupações

Especialistas em educação, psicologia e direitos humanos têm se manifestado contra a militarização das escolas:

  • “Escola não é quartel”: pedagogos alertam que o ambiente escolar deve promover diálogo, criatividade e pensamento crítico — não hierarquia rígida e obediência cega.
  • Risco à formação emocional: crianças e adolescentes podem desenvolver medo, ansiedade ou aversão ao ambiente escolar.
  • Ausência de evidências: não há estudos conclusivos que comprovem que o modelo cívico-militar melhora desempenho acadêmico.
  • Desvio de função: policiais militares não têm formação em educação, o que pode gerar conflitos com professores e gestores.

Reações locais

  • Pais e alunos estão divididos: alguns apoiam a medida por acreditarem que trará mais ordem; outros temem repressão e perda de liberdade.
  • Professores preocupados: há receio de interferência na autonomia pedagógica e no clima escolar.
  • Entidades educacionais: como a APEOESP, criticam a falta de diálogo e transparência na implementação do modelo.

Custo e política

O modelo cívico-militar é financiado com recursos estaduais e federais, e faz parte da agenda conservadora do governo Tarcísio, alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A militarização da educação é vista por críticos como uma tentativa de impor valores autoritários e desviar o foco dos reais problemas da educação pública, como falta de infraestrutura, baixos salários e evasão escolar.

Futuro incerto de crianças e adolescentes

A presença de sargentos como diretores disciplinares em escolas públicas de Rio Preto marca um avanço da militarização da educação em São Paulo. Embora o governo defenda a medida como solução para problemas de disciplina, especialistas alertam para os graves riscos à formação integral dos estudantes e à autonomia pedagógica das escolas. O debate está longe de terminar — e seus impactos serão sentidos nas salas de aula e na sociedade por muitos anos.

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